segunda-feira, 22 de abril de 2013

2º ENXAME DA ÉPOCA 2013

O fim-de-semana foi generoso e ontem chegou mais um enxame.

Para ser rigoroso, é uma garfa que ocupa apenas um quadro, mas que já está devidamente alojada numa caixa núcleo, onde irá passar os próximos tempos até que se desenvolva.

Tendo em conta o baixo número de abelhas, optei por alimentar este pequeno enxame para tentar melhorar o desenvolvimento desta colónia. 

O enxame foi capturado no mesmo local do anterior, pelo que se prova que o material usado e empilhado "estrategicamente" no anexo do quintal, continua a ser um isco fabuloso para a captura de enxames.

Desta vez não efectuei qualquer registo multimédia sobre o enxame capturado, mas tive o prazer de ver a "princesa" desta garfa.

O primeiro enxame de 2013 está a evoluir bem, tendo sido hoje passado para uma caixa normal, já que se apresentava com bastante população, com os quadros do núcleo já com formação de reservas de mel e pólen, bem como dois quadros de postura certinha.

O anexo já está novamente "operacional" e aguarda a chegada de mais enxames! 

Vamos ver como corre…

Saudações Apícolas!!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

COMEÇOU A ENXAMEAÇÃO NA LEZÍRIA


Depois de quase seis meses de chuva ininterrupta, finalmente o bom tempo, com sol e calor, que obviamente ajudam nos trabalhos apícolas e no desenvolvimento dos enxames.

Confesso que já começava a ficar ansioso pela chegada do bom tempo, dado que com ele chega o momento da saída de enxames, que espero sejam em grande quantidade, de forma a reforçar o meu efectivo.

É certo que todos os apicultores gostam de apanhar enxames e muitas são as discussões sobre a melhor forma de os apanhar, havendo muitos segredos e muitas fórmulas anunciadas para que se consigam fazer capturas.

Há quem simplesmente use produtos que se vendem nas lojas da especialidade, á base de creme ou spray (o tão conhecido ABEJAR!!) que utilizam em caixas novas, caixas velhas e cortiços, havendo inclusivamente alguns apicultores que criam caixas especificas para esse fim, onde são igualmente usados esses produtos.

Existem ainda apicultores que costumam esfregar as caixas com ervas de cheiro (rosmaninho, alecrim, entre outros…), para que dessa forma consigam atrair as abelhas.

No meu caso, que sou aprendiz de apicultor, há três premissas determinantes para que se consigam apanhar enxames que também não são novidade, mas que alguns “caçadores” às vezes se esquecem, nomeadamente: bom tempo, local frequentado por abelhas e caixas usadas.

A constatação anterior deve-se ao facto de não ser expert nesta área, mas sem grande dificuldade já consegui apanhar vários enxames no ano passado e já apanhei o meu primeiro este ano, sem que para isso tivesse que ser um génio da criação ou um inventor de referência.

A quase totalidade de enxames que capturei o ano passado, fi-lo sempre da mesma forma, bastando retirá-los de material apícola que se encontrava armazenado.

Todo o material apícola que não estou a utilizar (caixas, alças e quadros) está arrumado num anexo do quintal, que tem a frente totalmente aberta, permitindo o livre acesso das abelhas, que como é natural procuram esse material para alguma recolha do que possa existir em termos de mel ou própolis, bem como para se “arrumarem”.

Logo, sem grande esforço ou sacrifício, sem grandes invenções ou criações e sem qualquer risco físico, vou recolhendo os meus enxames, que para a minha pequena dimensão, são sempre um enorme estimulo e satisfação.

Depois de um fim de semana de visitas por parte das abelhas ao material armazenado, ontem chegou o primeiro enxame de 2013!!




Este enxame, curiosamente, apesar de ter muitas opções para se alojar no material armazenado, optou por ficar na rua, agarrado a um vaso de flores.

Parece um enxame bem razoável, que encheu um núcleo por completo e que já se encontra no apiário, esperando que o seu desenvolvimento aconteça dentro da normalidade.

Tendo em conta o atraso nas florações vou alimentá-lo nestes primeiros tempos, para que o seu desenvolvimento não seja posto em causa.

Esperemos que este seja o primeiro de muitos do ano 2013.

Saudações Apícolas!!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CHEIAS NA LEZÍRIA…


Quase nada tem acontecido com as abelhas!!

Mas, verdade seja dita que o tempo não tem dado tréguas desde Setembro de 2012, com dias intensos de chuva e com temperaturas muito baixas até à passada semana.

São por isso condições que nada ajudam a apicultura, que impossibilitam o maneio e que começam a pôr em casa a produção do corrente ano.

Parece faltar sorte nestes primeiros tempos de apicultor…

O Inverno passado quase não choveu, tendo o ano de 2012 sido tremendamente seco, com as floradas a serem muito fracas e pouco intensas…. Este Inverno não pára de chover!!

Estas condições climatéricas persistentes, levam assim à subida do nível das águas do Rio Tejo que provocam a inundação de toda a Lezíria, que por acontecer já bastante tarde, prejudicam seriamente os agricultores que precisavam nesta altura já estar a trabalhar a terra e a plantar os seus hortícolas.

Ficam algumas fotos dos efeitos das cheias 2013 que estão a afectar toda a Lezíria.



Esperemos que a chuva seja benéfica pelo menos para a zona de charneca, esperando que este ano se tenha bastante rosmaninho, alecrim, esteva e outras plantas tão essenciais às minhas abelhas.

E já agora…. Que venham os dias de sol e com bastante calor para ver se é possível apanhar alguns enxames este ano.

Saudações Apícolas!!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

1º ANIVERSÁRIO DO BLOG

Como o tempo passa rápido….

Parece que foi ontem que comecei esta aventura de criar e alimentar um blog e já passou um ano!!

Durante este ano de actividade como aprendiz de apicultor aconteceram muitas coisas boas, mas também coisas más, tendo guardado de todas elas a experiência passada, que certamente trará ganhos no futuro.

Comecei a actividade apícola e o blog em Fevereiro de 2012, com apenas uma colmeia, tendo chegado a ter seis colmeias no inicio do Inverno… No entanto, um problema com traça, uma colmeia zanganeira que não foi possível recuperar e uma alimentação inadequada fizeram reduzir o efectivo para as actuais duas colmeias.

Com todas as ocorrências verificadas ao longo do primeiro ano nesta actividade, fica para mim bem patente que criar abelhas não é a mesma coisa que ter um cão ou um gato… As nossas amigas são exigentes e o ano de 2013 será seguramente diferente!!

Em jeito de balanço sobre a criação do blog, onde fui relatando o meu contacto e experiências vividas em torno da apicultura, foi para mim muito gratificante e até surpreendente que o mesmo, apesar de recente, tivesse tantas visitas ao longo do ano.

O blog conta já com mais de 12 000 visitas, o que significa que teve uma média de 1 000 visitantes por mês, de onde se destacam as visitas de portugueses, com cerca de 10 500 visitas, havendo no entanto visitas de outros países um pouco por todo o mundo, com especial relevo para o Brasil, Estados Unidos da América, França, Alemanha, Luxemburgo, Rússia, Moçambique, Espanha, Suiça, entre tantos outros.

Assim, resta-me agradecer a todos quantos têm visitado este espaço, esperando poder continuar a receber as Vossas dicas e truques, que seguramente me ajudarão a melhorar o meu maneio apícola.

Como estamos na altura da floração da fava, aqui fica o registo das nossas amigas a aproveitar essa planta…



Saudações Apícolas!!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PETIÇÃO CONTRA O USO DE PESTICIDAS AGRÍCOLAS

Caros Leitores,

Está a travar-se na Europa uma importante batalha contra o uso de pesticidas agrícolas, que afectam as abelhas e dizimam muitas colónias.

Uma ONG designada Avaaz.com está a liderar um abaixo assinado junto da União Europeia, para proibir a utilização desses pesticidas!!



Como o assunto interessa às nossas amigas e a todos nós, deixo o link para assinar  a petição...

http://www.avaaz.org/po/hours_to_save_the_bees/?fp

Está quase a ser atingido número de 2,5 milhões de apoiantes desta causa... Dê o seu contributo!!

Saudações Apícolas!!

domingo, 27 de janeiro de 2013

UMA TARDE DE ABELHAS EM TOMAR



Participei ontem numa atividade desenvolvida pela Associação de Apicultores do Centro de Portugal que se realizou na Mata dos Sete Montes em Tomar, cidade onde está igualmente sedeada esta associação.

Do programa da atividade, que tive oportunidade de conhecer através do blogue Monte do Mel, constava a exibição do documentário “Rainha do Sol – O que é que as abelhas nos estão a dizer?”, seguindo-se um momento de tertúlia entre os apicultores.


Tendo em conta a proximidade regional do evento, decidi participar tendo em vista três objetivos, nomeadamente:
1 - Interesse na visualização do documentário;
2 - Conhecer a associação que fica mais perto da minha localização;
            3 - Contato com apicultores para troca de experiências;

Os objetivos foram totalmente alcançados!!

A ação contou com a participação de mais de meia centena de participantes (sócios e não-sócios), que encheram a sala para assistir à exibição do documentário, que tem a sua versão original em inglês, mas que um jovem associado teve a amabilidade de traduzir e legendar, facilitando a perceção a toda a plateia.

O documentário é um excelente trabalho que aborda os principais problemas da apicultura nos Estados Unidos, mas que naturalmente se pode extrapolar para a realidade nacional e mundial.

O documentário centra-se no desaparecimento das abelhas e nas graves consequências que essa situação provoca na sustentabilidade mundial, tendo em conta a sua relação direta com a produção agrícola.

Os principais fatores subjacentes ao desaparecimento das abelhas estão bem identificados no documentário, sendo feita referência aos seguintes:
                - Produção em sistema de monoculturas;
                - Utilização de pesticidas na agricultura;
                - Manipulação genética de espécies agrícolas (transgénicos);
                - Sanidade Apícola (especialmente a varroose);
                - Manipulação de rainhas (vitalidade vs durabilidade);
                - Controlo da enxameação;

Retive uma expressão do documentário que refere que os apicultores deveriam ser substituídos por “cuidadores de abelhas”, com a qual estou de acordo, se pensarmos na forma como a apicultura se está a desenvolver atualmente…

Em suma, um documentário importante, que recomendo a todos os apicultores e cuidadores de abelhas, que nos faz refletir em algumas das práticas atualmente em uso e no contributo que damos, às vezes inconsciente, para que as abelhas desapareçam.

Após a exibição do documentário, o Presidente da Associação dedicou algum tempo às temáticas abordadas, recordando aos presentes a necessidade de um maneio adequado e ambientalmente responsável.


Quanto ao meu segundo objetivo, foi também conseguido, já que me foi possível conhecer o Presidente da Associação de Apicultores do Centro de Portugal (Sr. Ildebrando Ferreira), com quem tive o gosto de falar sobre a associação e sobre a apicultura.

Com a participação no evento foi ainda possível contatar com outros apicultores mais experientes, que me vão sempre ensinando alguns truques e dicas, que espero de futuro venham a ser bastante úteis no desenvolvimento da minha atividade.

Fica também o registo de alguns amigos que foi possível reencontrar nesta ação e que se conheceram noutras paragens, com quem tive o prazer de conversar, ao mesmo tempo que ia degustando uns fabulosos produtos elaborados com mel.

Voltei a provar hidromel... Começo a ficar mais familiarizado com a bebida… Ainda me vou tornar especialista!!!

Felicito a Associação de Apicultores do Centro de Portugal pela ação desenvolvida e agradeço a oportunidade que me deram de poder participar, desejando os melhores sucessos para a associação e para todos os apicultores que a compõem.

Saudações Apícolas!!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

AVIS MELLÍFERA 2012



Nesta altura do ano em que as temperaturas condicionam a realização de actividades junto das nossas colónias de abelhas, existe disponibilidade para outras acções também ligadas à apicultura, nomeadamente recuperação de material para a próxima campanha, bem como participação em eventos sobre o sector.

No passado dia 8 de Dezembro participei no evento AVIS MELLÍFERA 2012, que se realizou em Avis e que permitiu reforçar duas convicções que já tenho há muito tempo…

A primeira convicção que sai reforçada é que sempre fui bem recebido no Alentejo ao longo da minha vida e este evento não foi excepção. Tanto eu, como creio, todos os participantes se sentiram como se estivessem em casa, recebidos de forma muito afectuosa.

A minha segunda convicção que sai reforçada é que sempre fui uma pessoa simples que gosta de coisas simples e este evento apesar de muito simples, ultrapassou todas as minhas expectativas.

A acção promovida pela ADERAVIS, associação local do sector, decorreu no salão da Junta de Freguesia de Avis, que foi devidamente preparado para o efeito e que recebeu mais de meia centena de apicultores oriundos de vários pontos do país.

A parte da manhã foi preenchida com um workshop sobre hidromel, onde o Dr. António Hermenegildo (SAP) explicou o processo de produção da bebida de forma simples, mas bastante eficaz, tendo relatado as várias experiência que realizou em torno desse produto, para garantir a sua qualidade.

Após a apresentação teórica, passou-se à parte prática, onde houve a possibilidade de efectuar a prova dos vários tipos de hidromel de acordo com a sua densidade.


Para ser sincero…. Não me agrada muito o sabor do produto, pois imaginava-o mais doce, tendo em conta a utilização do mel no seu processo de fabricação.

Após o período de almoço, realizou-se um colóquio onde foram abordados temas relevantes para o sector apícola.


O Dr. Joaquim Pifano em representação da ADERAVIS abordou a temática da flora apícola, mostrando a  abordagem  passiva/activa que o apicultor deverá ter a este nível. Foram identificados alguns problemas e algumas soluções ao nível dos pastos apícolas, tão necessários para o desenvolvimento das colónias. Houve ainda o cuidado de apresentar algumas espécies de plantas, arbustos e árvores que se podem utilizar na região para adensamento, com elevado potencial apícola.

O Engº. Pedro Santos em representação da CNA falou sobre a apicultura e a nova PAC, tendo identificado alguns problemas que se verificam a nível da agricultura nacional e que consequentemente afectam também a apicultura. Teve ainda o cuidado de reforçar a importância dos movimentos associativos nos vários sectores da agricultura, que podem e devem ser entidades activas na defessa dos interesses dos seus associados.

Seguiu-se a apresentação do Eng.º Paulo Varela em representação da Montemormel que abordou as vantagens e desvantagens das melarias colectivas. Atendendo à legislação que regulamenta o sector apícola, parece fazer todo o sentido a existência destas unidades. Parece-me óbvio que as vantagens superam largamente as desvantagens, não só porque facilitam a vida ao apicultor ao nível do processo de extracção, como pelo facto de quase sempre estarem ligadas a associações, puderem facilmente potenciar a venda do produto, conseguindo preços e condições muito melhores, que as obtidas individualmente por cada apicultor. 

No meu ponto de vista, parece haver necessidade de consertar posições ao nível das associações que estejam territorialmente mais próximas, para que da partilha de uma única melaria se possa aumentar a escala, donde resultará naturalmente um reforço da posição no mercado.

Embora saiba que muitas vezes a distância pode ser sinónimo de afastamente, a existência de bons acessos no território e de meios entre associações, pode ajudar nessa aproximação.

O Engº. José Serranito em representação da Qalian falou sobre sanidade apícola e apresentou as diferenças entre produtos químicos e produtos homeopáticos, tendo saído reforçada a ideia da necessidade de acompanhamento permanente das colmeias, com maneio adequado e com a aplicação de produtos seguros que cumpram com eficácia o seu objectivo.


Resta acrescentar que o colóquio foi superiormente moderado pelo Eng.º José Gardete, que soube sempre identificar os pontos essenciais de cada intervenção, dando algumas “achegas” que complementavam a discussão dos vários temas em análise, mantendo sempre um bom nível de discussão entre os oradores e o público.

Realço em seguida alguns temas/aspectos que foram colocados pelos apicultores presentes no colóquio:

- Ordenamento do sector apícola;
- Movimentos de transumância vindos de Espanha;
- Questões de segurança na sanidade apícola associadas à transumância espanhola;
- Inércia na intervenção de autoridades nacionais ao nível da fiscalização;
- Formas de cumprir com a protecção contra incêndios que não destruam a flora apícola;
- Importância do movimento associativo na defesa do sector;
- Necessidade de efectuar campanha de combate à varroa, com intervenção conjunta  e simultânea em todo o território nacional;
- Criação de melarias conjuntas que defendam os interesses dos apicultores;
- Importância de maneio adequado e acompanhamento do desenvolvimento de colónias;

Em suma, a Avis Mellífera 2012 foi a meu ver uma acção de enorme sucesso, que espero tenha ido ao encontro dos objectivos definidos pela organização.

Foi para mim um prazer poder contactar com apicultores experientes, disponíveis para explicar procedimentos, dar dicas e ensinar truques de forma tão natural e espontânea, que para um aprendiz de apicultor como eu, valem ouro.

Felicito a organização pelo excelente dia que me proporcionaram e agradeço a simpatia e simplicidade de todos os elementos da direcção, oradores e participantes, com os quais aprendi bastante.

A TODOS, um bem haja e votos de boa sorte!!

Saudações Apícolas!!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

XI FEIRA NACIONAL DO MEL - LUSO 2012

A XI Feira Nacional do Mel realizou-se no Luso no passado fim de semana (9 a 11 de Novembro), aproveitando como é habitual a realização do Fórum Nacional de Apicultura, a qual tive oportunidade de visitar.

A feira apesar de não ser algo grandioso, serviu na perfeição para satisfazer os meus objectivos, porquanto apresentava vários pavilhões, onde se encontravam representadas algumas associações e empresas do sector, bem como espaços que não estando ligados à apicultura ajudavam a animar o espaço.

No dia em que visitei a feira, talvez por estar a decorrer o XIII Fórum Nacional de Apicultura, havia bastante gente, que aproveitava para comprar produtos, ver equipamentos ou simplesmente trocar conhecimentos e experiências.
  



O espaço estava bem organizado e permitiu-me tomar conhecimento de uma imensidão de soluções existentes na área da apicultura, para as mais diversas actividades.

O espaço da feira foi ainda o local escolhido para a entronização dos novos confrades, da recentemente criada Confraria do Mel, que espero seja um espaço/entidade onde os seus elementos cumpram com o juramento prestado, uma vez que com isso se dará visibilidade a tão precioso produto.


  
Saúdo vivamente a organização da feira pelo excelente espaço criado, dado que o mesmo apresentava na minha opinião as condições essenciais para o fim a que se destinava.

Saudações Apícolas!!

XIII FÓRUM NACIONAL DE APICULTURA – LUSO 2012

REFLEXÕES

Tal como previsto no passado dia 10 de Novembro, apesar das péssimas condições climatéricas, estive no Luso para participar no XIII Fórum Nacional de Apicultura.

Confesso que ia carregado de expectativas para aquele que é considerado por muitos o evento do ano para o sector apícola, mas a realidade foi bem diferente…

Apesar de estar uma sala cheia de gente, que estimo em cerca de 300 a 350 participantes, as coisas não correram bem!

  
Começo por falar da organização do evento, que creio esteve a cargo da Federação Nacional de Apicultores Portugueses e da Associação dos Apicultores do Litoral Centro e que não me pareceu terem a capacidade para gerir um evento nacional desta grandeza, perdoem-me os responsáveis, mas há de facto coisas que não são admissíveis, que passo a explicar….

1 – INSCRIÇÕES
Havia a possibilidade de realização de inscrições antecipadas ou no próprio dia do evento, o que degenerou numa tremenda confusão no momento da recepção dos participantes, mesmo aqueles que já tinham efectuado a sua inscrição antecipadamente. Para além disso, quando se opta por deixar inscrever toda a gente e não existe limite de número de participantes, terá de se ter uma sala com capacidade suficiente, para receber todos os participantes. Neste caso houve participantes que ficaram de pé porque já não havia cadeiras disponíveis, sobretudo no ínicio dos trabalhos.

2 – LOCAL
O local escolhido para a realização do Fórum, não apresentava as condições necessárias para uma apresentação em sala. Apesar da sala ser enorme e climatizada, estava completamente lotada, mas não era um auditório, logo as pessoas estavam sentadas ao mesmo nível, não havendo uma elevação do palco suficiente para se ver a cara dos oradores ou mesmo as apresentações. Parece-me que de facto a melhor solução passaria pela realização deste tipo de actividade em espaços tipo auditório ou anfiteatro, que permitem que qualquer participante esteja num plano que permite acompanhar na plenitude as apresentações. A verdade é que de meio da sala para trás ninguém estava confortável a assistir às apresentações, tendo os participantes que se levantar das cadeiras para ver a totalidade dos diapositivos que iam sendo passados pelos oradores.

3 – MEIOS DE SUPORTE AUDIOVISUAL
Todos os meios de suporte audiovisual devem estar ligados e testados antes do evento, para que aquando do início dos trabalhos e das apresentações dos oradores não se verifiquem atrasos, o que no caso não veio a acontecer, tendo levado a um atraso de cerca de uma hora.

4 – CUMPRIMENTO DE HORÁRIOS
Como se verificaram problemas com os meios de suporte audiovisual, o programa do fórum atrasou muitíssimo, pelo que a pausa para café que estava prevista para as 11H00 só aconteceu por volta das 12H30… Logo o período do almoço que estava previsto para as 13H00 teve o seu inicio às 14H00… Tendo o restante programa deslizado para fora dos horários previstos.

5 – TEMAS ABORDADOS
Os temas que faziam parte do programa apresentavam pouco interesse para os apicultores, com excepção dos primeiros dois oradores da manhã (Dr. Miguel Vilas Boas e Manuel Izquierdo Garcia) que abordaram temas muito interessantes, respectivamente sobre produção biologia e mercado de mel em Espanha, a parte da manhã mais nada teve de interessante para os apicultores.
No período da tarde verificou-se um bom momento, com a realização da mesa redonda, mas com uma péssima moderação, onde sistematicamente a FNAP intervinha para mostrar que anda a fazer trabalho em prol dos apicultores.
A meu ver eram dispensáveis apresentações de estudos universitários, sobretudo quando ainda não estão concluídos, que apenas carecterizam algumas áreas e que nada acrescentam de conhecimento aos participantes. Não posso deixar de referir que o pior módulo foi “Água-Mel – Caracterização Qualitativa da Água-Mel para a sua valorização a nível nacional”, em que a oradora passou todo o tempo a mostrar gráficos com medições de fenóis e outras “cenas”, que levou ao quase abandono generalizado da sala.

Não posso também deixar de fazer nota sobre o jantar que a organização do evento supostamente ofereceu (a meu ver foi mais que pago!!), para cerca de 500 pessoas, que começou tardíssimo (21H30), numa tenda montada para o efeito não climatizada, onde mesmo sem comida, se batia os dentes com tanto frio!! Este jantar demorou cerca de 2 horas e meia, já que entre sentar à mesa e a chegada da sopa foi preciso esperar cerca de 40 minutos, depois da sopa (já fria!!) esperou-se mais 30 minutos para comer UM SÓ PEDAÇO de leitão frio, com umas batatas fritas de pacote e um pouco de alface e passado 1 hora passam novamente para deixar mais um pedaço de leitão, que continuava frio!!!

Inesquecível foi também o acompanhamento do jantar, ao som de fados de Coimbra, que até estava agradável, tendo a meio sido substituídos por uma bateria de Carnaval, que por pouco não ensurdeceu todos os participantes, de tão alto que estava o som e com tão má qualidade!!

Também ao nível dos restaurantes locais e próximos do local do evento, que eram hipótese para o almoço da responsabilidade dos participantes (apenas 3!!), havia longas filas, com períodos de espera intermináveis e com preços não muito convidativos!!

Em suma, esta foi uma experiência não muito agradável, tendo em conta que gorou as expectativas, mas que consumiu ainda bastantes recursos financeiros, se contabilizar o valor da inscrição, combustível, portagens e almoço.

Neste XIII Fórum Nacional de Apicultura, não se falou assim tanto de apicultura como eu esperava, quase não houve apresentações dignas de um fórum nacional e saí de lá a saber tanto quanto já sabia sobre abelhas, com excepção de uma ou outra informação que retive das duas primeiras intervenções, que de facto me fizeram reflectir sobre algumas coisas, nomeadamente na aposta na produção em modo biológico e por outro lado o peso da China no mercado mundial do mel, com preços impossíveis de bater, mas com um tipo de produção absolutamente duvidosa.

Tenho pena que a minha primeira experiência em termos de fóruns nacionais tenha sido esta, mas a verdade é que fiquei tremendamente desapontado com tudo o que vi, no entanto ficou a experiência e em futuros eventos deste tipo terei de analisar bem o programa, para ver se justifica ou não a participação em função da pertinência dos temas que irão ser abordados.

Creio que tal como eu, deve ter havido muito mais gente a sair frustrada deste evento, tendo em conta que quase metade dos participantes eram jovens, que me pareceu estarem no início da sua vida como apicultores, alguns deles com projectos aprovados pelo PRODER e outros em vias de apresentar candidaturas com vista à instalação dos seus apiários.

Fica também uma nota para a muito forte participação de apicultores algarvios que se fizeram representar no evento (apesar da distância!), bem como de outras regiões do país, onde se inclui um amigo destas “lides” que conheci por ocasião da frequência de um curso de apicultura realizado na Pampilhosa da Serra no início deste ano, que foi agradável rever.

Registei ainda uma problemática levantada no período da mesa redonda em torno da identificação geográfica de apiários, que muitos apicultores defendiam dever ser realizada, mas percebeu-se pela posição dos representantes da tutela que não se irá caminhar nesse sentido… Parece assim ficar comprometido o tão abordado tema da política de ordenamento apícola.

Fica assim o registo das principais incidências deste XIII Fórum Nacional de Apicultura, que bem gostaria tivesse sido mais proveitoso, sobretudo porque era a minha primeira experiência a este nível e também porque considero que estes eventos devem ser mais frutuosos para que se justifique a sua realização.

Saudações Apícolas!!