domingo, 23 de março de 2014

NA FALTA DE ENXAMES… FAZEM-SE DESDOBRAMENTOS!!



A Primavera já chegou oficialmente, mas com ela vieram as temperaturas mais baixas e a chuva, situação que retarda a enxameação.

No ano de 2012 o meu primeiro enxame foi capturado no dia 21 de Março, mas o ano passado o primeiro enxame só chegou no dia 16 de Abril.

Está tudo pronto para a captura de novos enxames, tendo tido os mesmos cuidados dos anos anteriores, mas até ao momento ainda nem sinal deles… Confesso que já tenho saudades da emoção do momento! Rsrsrsrs

No entanto, como não há enxames capturados e porque vai havendo da minha parte mais experiência e mais conhecimentos na apicultura, tal como tinha aqui referido no último post, no passado domingo efetuei o meu primeiro desdobramento.

Foi uma semana inteira de preocupação, já que não sabia como estava a evoluir a situação e como não estou perto do apiário, durante a semana fui recebendo informação dos meus pais que sempre que ligava e perguntava pela caixa nova diziam… “Há montes de abelhas coladas na caixa!! Umas na frente outras por trás da caixa… Elas não estão a entrar na caixa!! Elas não gostam do material da caixa (roofmate)…”.

Devo esclarecer que os meus pais não são apicultores, têm um medo terrível de abelhas e controlam as colónias a uma distância bastante considerável.

Em suma, estava desejoso que chegasse o fim de semana para ver o que se passava com o desdobramento.

Hoje quando cheguei ao apiário, pude constatar o que os meus informadores iam descrevendo… Abelhas a cobrir a entrada e também um cacho de abelhas pendurado na traseira da caixa.



Durante a semana fui contatando algumas pessoas que me iam apontando pistas para o que os meus pais observavam, mas de fato tudo apontava para falta de espaço no núcleo, como me havia escrito também o Luís Moreira num comentário que deixou no blogue.

Devo referir que o desdobramento foi realizado pelo método de orfanização, tendo deslocado a colmeia dadora para outro local e tendo deixado o núcleo no local onde a dadora se encontrava, o que garantia o gado suficiente para alimentar e aquecer a criação.

Hoje ao abrir o núcleo, estava assim…



Perante tanta população não tive outra hipótese senão mudar, com todo o cuidado, os quadros que compunham o núcleo para um ninho normal, para que o enxame se possa continuar a desenvolver, bem como para haver espaço para abrigar todas as abelhas, evitando assim a sua acumulação na entrada da caixa, como acontecia anteriormente.

Nestas operações foi possível ver dois mestreiros com o tamanho normal para o tempo decorrido, que já ocupam a nova caixa.

  
Devo ainda referir que para uma semana de utilização do núcleo de roofmate… A experiência não me deixou suficientemente agradado, havendo correções a efetuar em futuras utilizações.

As abelhas estavam a começar a “roer” o roofmate em vários pontos e porquê?





Pode muito bem ser a falta de espaço, mas também há aspectos a melhorar… 

A principal melhoria a introduzir é a colocação de uma tampa sobre a caixa, antes da aplicação do telhado, uma vez que a folga existente entre o telhado e caixa permite algum espaço que as abelhas utilizam para tentar entrar… O que origina entradas múltiplas, o que não deve acontecer.

Os próximos núcleos já vão ter uma tampa para evitar esta situação!!

Aproveitei a oportunidade para dar uma volta pelas restantes colónias, que de um modo geral estão bem, com boa entrada de pólen e mel, sendo a colmeia dadora de onde fiz o primeiro desdobramento uma verdadeira surpresa… Continua muito forte em termos de população, com muita criação em vários estados e hoje tinha um quadro no sobreninho com cinco ou seis mestreiros.

Ora, como a rainha me parece muito bem e porque a colmeia está bastante forte, peguei nesse quadro com os mestreiros e fiz um novo desdobramento, tendo adicionado mais um quadro de criação, dois de reservas e já não arrisquei colocar no núcleo… Foi direto para uma caixa normal.

Para quem tinha receio de desdobrar… Esta caixa tem estado a “pedi-las” e tenho aproveitado para fazer aquilo que me parece mais correto.

Vou continuar a acompanhar a situação com toda a atenção, esperando que o tempo me ajude a mim e a todos os apicultores no sucesso das nossas colónias.

E…. Venham de lá os enxames!!! Eheheheh

Saudações Apícolas!!

segunda-feira, 17 de março de 2014

UM FIM DE SEMANA DE ABELHAS


Finalmente o bom tempo, em que apetece andar na rua e realizar atividades de ar livre, onde se incluem as relacionadas com a apicultura.

Apesar da subida das temperaturas, que na semana passada rondaram os 22º/23º, ainda não saboreei o gosto da captura de enxames este ano, embora já tenha lido relatos de apicultores que os conseguiram obter na zona da Lezíria do Tejo.

No entanto, a enxameação já aí anda e há que estar preparado para ela, pelo que há trabalho a fazer, nomeadamente a construção de alguns núcleos para que os novos enxames capturados se possam desenvolver, bem como colocar algumas caixas isco, que serão instaladas estrategicamente.

Assim, no sábado fiz mais alguns núcleos em wallmate/roofmate, que continua a ser um material barato e de fácil utilização. Cada placa dá para executar dois núcleos, incluindo a respetiva tampa.

Espero este ano poder utilizar esses núcleos para os primeiros enxames, sendo certo que assim que as colónias apresentem um bom nível de desenvolvimento, serão imediatamente transferidas para as normais caixas de madeira.

Tenho lido algumas experiências de utilizadores desse material para a execução de núcleos e até de colmeias, com resultados quase sempre satisfatórios, pelo que vamos ver como corre essa experiência no meu caso.

No domingo foi dia de dar mais um passo importante nas minhas técnicas de maneio…

Fiz o meu primeiro desdobramento!!

A colmeia desdobrada foi a que teve um acidente no dia de Natal, tendo-se virado com o vento.

Esta colmeia tem-se revelado uma autêntica surpresa, dado que após o acidente, evolui de uma forma extraordinária, apresentando-se repleta de criação, que já estava a ocupar ninho e sobreninho.

Suspeito que aquele enxame tenha produzido uma nova rainha, tal é a força que apresenta.

O desdobramento foi feito pelo método da orfandade, tendo colocado no núcleo um quadro com criação fechada, um quadro com criação do dia, dois quadros com mel e pólen, bem como um quadro com uma folha de cera estampada.

Este quadro com cera estampada foi colocado propositadamente vazio para dar trabalho às abelhas até que a nova rainha esteja em condições de iniciar postura.

Não sei se foi a melhor opção, mas vamos ver como corre…

Utilizei um dos núcleos que construi em wallmate e que foi colocado no local da colmeia dadora, tendo essa sido deslocada para outro espaço. Assim garantirei que esse núcleo continue a ter operárias a trazer o que a nova colónia precisa.


Agora é dar tempo ao tempo e esperar para ver se a minha primeira experiência será bem sucedida.

Dei uma volta por algumas colónias que me parecem estar muito boas e com um arranque forte, mas vamos ver como correm as coisas este ano.

Pelos menos o gado já anda nos pastos a colher o que vai havendo disponível.

Algumas fotos de uma abelha a trabalhar numa flor de jardim…


 













 Saudações Apícolas!!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

RECUPERAÇÃO DE COLMEIAS

O último post do blog fazia referência a uma ocorrência no dia de Natal, em que o vento forte fez tombar a minha melhor colmeia.
Passados dois meses após essa situação, posso confirmar que a rápida atuação naquele caso traduziu-se num sucesso, tendo a colónia voltado ao normal, depois de uns dias de “limpezas profundas”.
O que mais me preocupava (a morte da rainha!) não aconteceu e a colónia já está a trabalhar normalmente, o que considero ter sido uma tremenda sorte e uma grande vitória.
Este inverno tenho feito um maior acompanhamento das colónias, sobretudo no que respeita às reservas, dado na sua maior parte eram enxames do ano e não existiam em quantidade suficiente.
Numa primeira fase optei por soluções caseiras, elaboradas à base de mel, açúcar e um pouco de água, sem que fossem demasiado líquidas, para não estimular em demasia as rainhas, tendo depois optado por investir uns “trocos” numa solução mais profissional…
Nos últimos 2 meses tenho estado a alimentar com APIFONDA que adquiri numa loja da especialidade e que manifestamente tem melhorado bastante o desenvolvimento das colónias, que se encontram bem povoadas e enérgicas, ansiando por dias de sol e flores em abundância para poderem iniciar a sua atividade de recolha.
Já acrescentei espaço a algumas colónias, para evitar enxameações indesejadas, bem como para começarem a preparar o espaço para a época de armazenamento.
Entretanto recebi um contato de um amigo que “herdou” uma colónia, que já se encontrava há algum tempo sem manutenção, tendo-me pedido para ir ao local observá-la, porque lhe parecia que andavam muitas abelhas fora da caixa… Tendo inclusivamente referido que havia observado um enxame numa árvore muito próxima da colmeia que tem instalada no seu terreno.
E lá fui eu ao encontro da situação…..
Não encontrei o enxame supostamente agarrado à árvore, mas como também demorei algum tempo a chegar ao local, pode ter “seguido viagem”…
Relativamente à colónia herdada….
Bem…. Foi pena não ter registado o momento do meu primeiro contacto com aquela colónia, mas as condições não eram as melhores….
Estava em presença de uma colmeia reversível, composta por ninho e meia-alça, assente numas ripas muito finas, que já estavam vergadas, com abelhas a entrar pelo alvado… pela lateral do ninho…. E pela meia-alça!
O material estava em muito más condições e após aberta a caixa, havia claramente falta de espaço, com os quadros do ninho ocupados e já com alguma postura na meia-alça.
Como tinha levado uma caixa para alojar o novo enxame (que entretanto desaparecera!), acabei por utilizá-la para fazer um sobreninho.
Fica uma foto, após colocação do sobreninho, onde ainda é possível observar algumas deficiências a corrigir na colónia.
 
As deficiências em pormenor…
 
 
 
 
 
E a foto do resultado final…

 
A colmeia ficou a funcionar, embora algumas abelhas num momento inicial estivessem algo desorientadas na procura das entradas anteriores, mas com o tempo a situação tendeu a normalizar.
Veremos como irá evoluir esta colónia, onde não foi possível observar a rainha, mas onde foi possível ver criação fechada e postura do dia.
A colónia possui muitos zangãos nascidos e em criação operculada…

Próxima tarefa... Preparar material para captura e receção de novos enxames, porque não tarda eles estão aí!! :) :)
Saudações Apícolas!!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

UM NATAL DIFÍCIL…

Há algum tempo que por aqui não escrevia, mas a verdade é que também não tem havido motivos para tal.

Desde o meu último post aconteceram algumas mudanças, mas que nada têm a ver com as abelhas.

Sobre as abelhas apenas há a dizer que este ano optei por não crestar, dado que o ano apícola foi difícil por estes lados, não existindo mel em quantidade que me levasse a tomar a iniciativa de realizar essa operação.

As poucas reservas que as abelhas conseguiram juntar, optei por deixá-las ficar para o período do inverno.

Porque as reservas eram poucas, tenho alimentado as colmeias com regularidade para ver se resistem nestes tempos de frio e de escassez de alimento.

As coisas não têm corrido mal e elas lá se vão aguentando…

Mas este Natal de 2013, fica para a memória, afinal as condições climatéricas que se têm feito sentir também não pouparam as minhas abelhas.

O meu pai já me tinha dado conta de uma intervenção que teve de realizar de urgência, colocando blocos de cimento por cima do telhado das colmeias, dado que ontem um deles tinha “fugido” com o vento.

Confesso que fiquei um pouco mais descansado, após a intervenção do meu pai, que seguramente haveria de evitar que os telhados das caixas continuassem a voar.

Eis quando a minha “melhor prenda” deste Natal, foi o telefonema da minha mãe esta tarde, dando conta que uma das colmeias havia tombado completamente com o forte vento que se fazia sentir e que o meu pai andava aflito a tentar remediar a situação.

A verdade é que a colmeia que mais reservas tinha virou completamente, tendo o ninho e o sobreninho se desmoronado completamente, havendo quadros espalhados por todo o lado.

De imediato “interrompi” os festejos de Natal e percorri num ápice os cerca de 200 km que me separavam do meu apiário, para me inteirar completamente da situação e poder tomar alguma medida que pudesse reverter o infortúnio.

Chegado a casa já sem luz do dia, porque estes dias pequenos são uma treta, fui de imediato para o apiário ver como estavam as coisas e tentar melhorar alguma situação que o meu pai tivesse deixado menos bem, dado que ele não é apicultor, não percebe nada de apicultura, tem um medo terrível de abelhas e não pode ser mordido por causa da sua alergia.

As coisas até estavam arrumadas, os quadros estavam no sítio certo, tendo curiosamente deixado os quadros com criação em baixo e reservas em cima… Havia abelhas… Alguns quadros de reservas “feridos” dos trambolhões, mas as coisas até estavam todas direitinhas.   

Enfim… Resta agora esperar uns dias para ver se a rainha se aguentou ou se morreu com toda a confusão, para perceber se a colmeia está ou não perdida.

Caso não haja rainha, vou ter de desfazer a colmeia, distribuir as reservas pelas outras colmeias e esperar que não volte a acontecer, pois não é tempo de fazer rainhas novas, atendendo à sua dificuldade em fecundar.

A vida de apicultor é mesmo dura… Os bichos de duas pernas, os bichos de quatro pernas, o frio, a chuva, o vento, o calor, o fogo, a falta de floração, as doenças… Demasiadas variáveis para se conseguir controlar em pleno a situação.

Fica uma palavra de grande agradecimento ao meu pai pela sua coragem, empenho e trabalho na tentativa de ajudar a resolver a situação, mesmo não percebendo nada da atividade e sendo alérgico à apitoxina, bem como à minha namorada e restante família que me viram sair a correr este Natal, para salvar as minha abelhinhas.

Uma palavra também de força e coragem para todos os apicultores, que tal como eu, também tiveram perdas no seu efetivo devido às difíceis condições atmosféricas destes últimos dias.

Apesar de tudo… UM FELIZ NATAL e um BOM ANO NOVO!!!

Saudações Apícolas!!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

AVIS MELLÍFERA 2013

Foi com enorme satisfação que participei em mais uma edição da AVIS MELLÍFERA, que se realizou no passado dia 27 de Julho na vila de Avis.

O evento que habitualmente se realizava no final do ano foi realizado em Julho e assim continuará a ser em futuras edições.

A edição deste ano iniciou-se com a realização de um workshop sobre núcleos em roofmate, dinamizado pelo Eng.º Paulo Ventura, no qual foi possível aprender a construir uma solução desse tipo, que serve na perfeição para o desenvolvimento inicial de um enxame.

Ainda durante a parte da manhã foi possível conhecer um projecto apresentado pelo Eng.º Joaquim Domingos na área da segurança de colmeias e apiários, no qual pretende juntar um sistema de gestão, monitorização e segurança, dando resposta não apenas à questão dos roubos, que tanto preocupa os apicultores portugueses, mas também juntando muitas outras opções que podem originar um sistema integrado de gestão apícola.


Apesar de ser um tema muito actual e importante para todos os apicultores, ficou bem patente que quanto mais complexo for o sistema, mais caro se torna, o que pode fazer com que não seja acessível a todos os apicultores, sobretudo se optarem pela versão mais completa.

Ainda assim, foi um bom período de reflexão e de absorção de informação, que permitiu conhecer as mais inovadoras tecnologias colocadas ao serviço da apicultura, sobretudo no que se refere a sistemas anti-roubo.

Após o almoço, a acção iniciou-se com a realização de uma homenagem a pessoas/entidades que têm apoiado a ADERAVIS ao longo dos últimos anos, sendo de salientar a presença entre os homenageados da Câmara Municipal de Avis e das Juntas de Freguesias do concelho, sinónimo que estas entidades públicas têm um papel importante na ligação com a associação e com o mundo apícola. É louvável que assim seja e seria um bom exemplo a replicar por todo o território nacional, pois seguramente a apicultura só teria a ganhar.















Terminada a homenagem seguiu-se um colóquio onde se abordaram as seguintes temáticas:

1 - “As colmeias estrangeiras e o esgotamento de recursos apícolas” pelo Eng. João Tomé;

2 - “Apiterapia” pelo Dr. José Valdez;

3 - “Eu fiz um projecto de apicultura” pelo Eng.º Osvaldo Silva;

4 - “Produção e processamento de pólen e própolis” pelo Eng.º Paulo Ventura;

O Eng.º João Tomé apresentou um belíssimo trabalho de investigação que realizou sobre o impacto das colmeias estrangeiras no nosso território, tendo realizado diversas demonstrações gráficas que facilmente comprovam que em certas zonas do país há uma forte sobreposição de apiários, muito por culpa da chegada de colmeias estrangeiras que são colocadas em locais onde já existem apiários nacionais.

Esta sobreposição determina claramente uma enorme escassez de pasto apícola que seja capaz de satisfazer os apicultores nessas zonas, com claro prejuízo para os apicultores residentes e permanentes, que não optam pela transumância.

Esta temática é bem reveladora, a meu ver, de três aspectos muito importantes…

1) - Os apicultores estrangeiros, que mesmo conhecendo a legislação nacional, instalam os seus milhares de colmeias, sem respeitar os apiários vizinhos, sobretudo ao nível do cumprimento das distâncias obrigatórias de afastamento entre assentamentos.

2) - As entidades nacionais com competência na área da fiscalização, que deviam ser mais actuantes e interventivas, evitando situações de desrespeito pela legislação e fiscalizando de forma mais exigente as colmeias estrangeiras que chegam ao nosso país, sobretudo no que respeita à área da sanidade apícola.

3) - Faz cada vez mais sentido que se utilizem as novas tecnologias para a identificação de apiários por parte das autoridades nacionais, através da georreferenciação, evitando-se assim a possibilidade de instalação de novos apiários em espaços que não cumprem os afastamentos obrigatórios.

Este é sem dúvida um dos temas mais “quentes” da apicultura nacional, sendo ele referido em todos os encontros de apicultores em que já estive presente.

Ao que parece, as entidades conhecem perfeitamente o problema, mas não estão interessadas em resolvê-lo… Vá lá perceber-se porquê….

O segundo orador convidado, Dr. José Valdez, fez uma apresentação bastante simpática onde mostrou todos os benefícios da utilização dos produtos da colmeia na saúde humana, tendo deixado algumas pistas de tratamento para uma série de sintomatologias que muitas vezes levam as pessoas a recorrer a produtos químicos/farmacêuticos, quando as abelhas têm a solução para uma boa parte desses problemas.

Foi ainda possível ouvir da plateia alguns testemunhos de pessoas que conseguiram ultrapassar dificuldades de saúde com recurso à apiterapia.

Na intervenção efectuada no terceiro tema pelo Eng.º Osvaldo Silva, ficou bem patente a dificuldade de executar um projecto na área da apicultura, sobretudo no que toca ao relacionamento com as entidades públicas que gerem estes processos, que ainda se encontram carregadas de burocracia, bem como de meios humanos com pouca sensibilidade para algumas questões e aos quais muitas vezes falta formação e conhecimentos adequados.

Não bastava já a exigência e complexidade de executar alguns ambiciosos projectos, como ainda há que estar preparado para a exigência da máquina administrativa, que nestes casos não perdoa e é insensível a alguns problemas e situações particulares.

Esta apresentação deveria ter sido ouvida por muitos aspirantes a apicultor que se atiram de cabeça na execução de projectos financiados, sem que muitas vezes consigam distinguir uma obreira de um zangão….

Em boa hora a ADERAVIS colocou um orador a falar por experiência própria na elaboração e concretização de um projecto apícola financiado, devendo em minha opinião este tipo de apresentação fazer parte de muitas outras acções apícolas nacionais, onde na plateia se encontram quase sempre dezenas ou centenas de jovens à procura de lucro fácil através do mundo das abelhas.

A última apresentação do dia esteve a cargo do Eng.º Paulo Ventura, que para além de falar sobre a produção e processamento de pólen e própolis, falou de muitos outros temas ligados à apicultura nacional.

Este orador, experiente apicultor, tem uma visão integrada da apicultura e dos produtos que se podem extrair da colmeia, não se limitando como é mais comum nos apicultores, a ver no mel a única fonte de produção.

Foi por isso para mim muito gratificante ouvir alguém com experiência e com escala, falar de uma apicultura integrada, onde se pode extrair rendimento através dos vários produtos da colmeia e não apenas do mel.

Retive também com este orador que com esforço, dedicação e muito trabalho é possível singrar no mundo da apicultura sem ser necessário entrar em projectos megalómanos, para onde caminha uma boa parte dos recentes apicultores que recorrem a fundos comunitários.

Em suma, mais uma belíssima jornada de aprendizagem em torno das abelhas, magnificamente pensada e organizada pela ADERAVIS, a quem deixo os meus parabéns e votos de continuação de bom trabalho.


Saudações Apícolas!!

terça-feira, 9 de julho de 2013

6º ENXAME DA ÉPOCA 2013

Como pequeno apicultor que sou, ainda consigo tirar férias sem que as mesmas sejam inteiramente dedicadas às abelhas, sobretudo numa altura em que já se faz a cresta por muitas partes do país, como tal, na semana passada foi possível sair da plataforma continental e gozar umas merecidas férias num “cantinho” que desconhecia, mas que me deixou de baterias carregadas.

Mas, mesmo estando de férias é impossível perder o contacto com as abelhas…

Sempre que ligava aos meus pais das primeiras coisas a perguntar era como estava o tempo por cá e como estavam as abelhas??

Fui sabendo que as temperaturas estavam elevadas, o que constituía motivo de preocupação, mas sempre me foram dizendo que aparentemente estava tudo bem com as minhas “meninas”.

Mais curioso foi logo no início da semana (9 de Julho) ter recebido a notícia que havia chegado um novo enxame ao barracão, que ao que parecia tinha uma dimensão considerável, tendo-se alojado no local habitual onde guardo o material.

Fiquei contente, mas preocupado, dado que ainda estava no inicio das férias e só poderia retirar aquele enxame quase uma semana depois… Também me lembrei que os enxames de Junho e Julho são muito exigentes do ponto de vista do acompanhamento, já que temos de verificar a sua evolução para que não lhes falte a comida… Se ainda por cima vierem com rainha nova, que seja boa prolifera, então mais complicado se torna, com tanta boca para alimentar.

Mas um enxame é sempre um enxame e já estava decidido a retirá-lo do local mal chegasse a casa.

Também a meio da semana, a minha namorada recebeu uma mensagem no telemóvel de uma amiga que se havia lembrado que eu era apicultor, para a ajudar a retirar um enxame de casa de uma senhora que supostamente teria mel a escorrer pela chaminé…

A este contacto informei que estava de férias e que assim que regressasse iria verificar a situação, que seguramente irei relatar num próximo post, já que combinei lá ir ver hoje a situação.

Sobre o novo enxame que chegou ao barracão, o mesmo já foi retirado no passado domingo ao final do dia, estando já colocado no apiário.

Tratava-se de um enxame razoável que deu para encher quatro quadros, notando-se já muita entrada de pólen. Como na caixa só existiam dois quadros com cera puxada, as abelhas já haviam iniciado a construção de dois pequenos favos, que seguramente iriam continuar a puxar para dar resposta às necessidades de espaço da rainha.


Como as actuais temperaturas são elevadas e não possibilitaram a entrada de todas as abelhas no dia da retirada do enxame, tendo ficado muitas no exterior, bem como o facto de as mesmas já se encontrarem à quase uma semana naquele local, fizeram com que na segunda-feira existissem muitas abelhas no local, o que me obrigou a ter de tapar todo o material armazenado, já que se encontravam bastante agressivas, atacando com enorme facilidade.

Actualmente o enxame está em pleno funcionamento, com um bom movimento de entradas e saídas para o trabalho e espero amanhã poder abrir a caixa para ver como se encontram, sendo natural que lhes dê um ou dois quadros de mel que vou retirar de outra colmeia, para que tenham alimento.

Saudações Apícolas!!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

DECLARAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE APIÁRIOS 2013

Todos os apicultores (registados!) são obrigados a efectuar a declaração de existência de apiários até ao final do mês de Junho, onde descriminam todo o efectivo de colónias que possuem nos apiários.

 As minhas já foram declaradas!!

Devo referir que o processo é bastante simples, dado que apenas é necessário obter e preencher o impresso destinado a esse fim, designado de Modelo 490/DGV, que pode ser encontrado no site da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, através do seguinte link: 



O preenchimento é acessível, havendo no entanto algumas associações (e bem!!) que auxiliam os apicultores no preenchimento da declaração, umas que o fazem gratuitamente e outras que cobram um valor pecuniário pela prestação do serviço.

No meu caso, optei por preencher a declaração e submetê-la via CTT para os serviços da Direcção Regional de Agricultura da minha zona, esperando receber dentro de dias e pelo mesmo meio uma das vias autenticada, tal como aconteceu no ano anterior.

Continuo a considerar que se justificava plenamente a utilização das novas tecnologias para a submissão destes dados, podendo perfeitamente o seu envio ser efectuado através da internet.

Creio que não seria muito difícil criar uma área de trabalho dentro do site da DGV, onde os apicultores através do número que lhes foi atribuído e uma password, pudessem com toda a facilidade e comodidade carregar os seus dados obrigatórios.

Mesmo que a DGV não quisesse despender dinheiro a enviar passwords a todos os apicultores, poderia perfeitamente abrir um quadro de registo para todos os apicultores obterem o acesso à sua área restrita.

Desta forma seria possível criar um sistema semelhante ao utilizado pelo portal das finanças, onde o utilizador poderia aceder a vários serviços, diminuindo barreiras e eliminando processos burocráticos, que se traduziriam claramente numa aproximação do Estado ao cidadão.

Esta alteração não traria apenas vantagens para os apicultores, traduzindo-se também em inúmeras vantagens para a própria DGV, já que com o registo electrónico dos apicultores, teria muito mais facilidade em contactá-los, em difundir campanhas ou em partilhar informação sobre a actividade.

Para além das vantagens acima referidas, a própria DGV também teria o trabalho mais facilitado na recolha e tratamento da informação, já que os dados seriam tratados informaticamente, evitando que os seus técnicos tivessem de andar a “lamber papel” e a fazer contar para somar efectivos.

Mais uma vez... Fica a sugestão...


Saudações Apícolas!!